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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Cuba que eu vivi, parte dois.

Meu primeiro artigo com impressões sobre a ilha de Cuba, versão ditadura Raul Castro, encontra-se disponível na internet no site dm.com.br, basta pesquisar utilizando meu nome. Em resumo, narrei as peripécias da viagem área, a agonia das cabines de imigração e as sofríveis condições na entrega das malas num aeroporto internacional capenga. Parei justamente no ponto em que um taxista cubano, profissional e agradável, nos conduzia por avenidas largas, limpas, no civilizado trânsito da capital Havana, em direção ao charmoso cinco estrelas Meliá, localizado na orla marítima.

O estabelecimento é um luxo encravado numa cidade que se amofina nos escombros. Tombada como Patrimônio da Humanidade, a capital se atola em ruínas. Os edifícios são apenas esqueletos de edificações primorosas, que ainda conservam aqui e acolá, a imponência arquitetônica que desaba sem nenhum socorro. Sair do hotel é ingressar no túnel de uma chocante realidade. Nada combina com as piscinas bem cuidadas, os restaurantes luxuosos e os mimos disponíveis.

A procura de um simples cartão de memória de uma máquina fotográfica, que por descuido deixei no Brasil, nos levou ao submundo de um shopping center miserável, apontado como o que existe de melhor na região. Os produtos são tão medianos e escassos que até no sertão do Piauí existe coisa melhor. Só depois de muita procura o zeloso condutor de um “Coco”, misto de moto-táxi com orelhão, conseguiu nos levar a um mocó que vendia a prosaica engenhoca à surdina. Custou uma fortuna.

Logo depois nos aventuramos a conhecer um restaurante “Sabor”, igual a dezenas de outros recentemente liberados para atuar em moldes da iniciativa privada capitalista. Foi uma delícia perceber a alegria dos “neodonos” cubanos, envolvidos na difícil tarefa de agradar sem ter condições adequadas para tal empreitada. Tudo muito simples, rústico e tosco nos detalhes. O prazer de servir foi tão sensível, que nos fez esquecer a comida sofrível, os talheres improvisados e a falta de temperos.

Ciente de que pretendíamos conhecer a verdadeira Havana, e não somente a farsa vendida aos turistas ou para o deleite dos hipócritas da esquerda raivosa brasileira - essa que participa do festim de Fidel Castro e Cia Ltda -, o inteligente motorista nos mostrou com prazer o lodo em que sobrevivem os filhos da tirania.

No interior dos edifícios, caindo aos pedaços, famílias inteiras, muitas sem nenhuma afinidade, sobrevivem em moldes de favela em que falta tudo. Há escassez de comida, roupas, condições de higiene e esperança. Ninguém mais acredita no viés comunista e fala isso claramente.

Não são tristes como era de se esperar. Conservam uma indecifrável ventura interna. Chega a ser contagiante a alegria de conseguir revelar a penúria sem o risco de serem presos. Com um sorriso largo, Luís desabafou: “Hoje não teria cadeia para colocar todo mundo”.

O leitor não pode ter a falsa impressão de que não foi divertido. Valeu a pena. As incursões pelo submundo de Havana revelaram facetas inacreditáveis. Os carrões antigos, no mais valioso museu automobilístico a céu aberto do planeta, são algo fantástico. Os orgulhosos proprietários adoram tirar fotografias e são de uma cortesia gratificante.

Depois dessas experiências, o guia improvisado nos indagou se topávamos esquadrinhar os arredores do “ponto zero”. Uma área delimitada em cujo epicentro, num dos mais bem guardados segredos do país, residem nababescamente os irmãos ditadores. Contudo, essa é uma história para o próximo artigo.

Rosenwal Ferreira é Jornalista e Publicitário.

E-mail: rosenwal@terra.com.br

Twitter: @rosenwalf

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Cuba que eu vivi. Parte um.

No auge da cachoeira de investimentos que jorravam da extinta União Soviética, eu visitei Cuba e não encontrei nenhuma maravilha digna de registro. Ainda no cueiro da atividade jornalística, tive que engolir calado observações de escritores como Fernando de Morais (autor do livro a “Ilha”), que enxergou prodígios admiráveis. Cheguei até a pensar que tinha alguma coisa errada comigo. Talvez uma demência causada por leitura excessiva da Reader´s Digest ou alguma lavagem cerebral a distância realizada pela CIA. Como as patrulhas ideológicas realizavam fogueiras de inquisição nas redações, guardei as péssimas impressões como acervo pessoal.

Recentemente decidi que já era tempo de retornar aos domínios de Fidel Castro e conferir os avanços do comunismo. Confesso que fui contagiado pelo jovem comunista goiano Bruno Pena que, ao ser entrevistado no meu programa de TV, afirmou convicto que eu estava enganado e que Cuba era, hoje, referência em qualidade de vida. Se pudesse estaria residindo lá, arrematou com um sorriso largo.

Aceitei o desafio. Juntei as economias, ajeitei um pacto civilizado e arrastei minha esposa Kétina em mais uma de minhas aventuras. Como não sou besta, e prezo meu casamento, fiz uma opção que inclui o circuito de hotéis cinco estrelas em Havana e resorts de luxo nas límpidas e baladas praias de Varedo. Tudo muito competente e organizado. As valises da CubaTour, entregues no Brasil, são luxuosas e requintadas. Senti firmeza.

Ao chegar ao aeroporto de Havana, que susto, tive saudades do pardieiro que se vivencia em Goiânia. As cabines da imigração ainda preservam o estilo porta fechada em que os casais são proibidos de entrar juntos. Ali se amarga alguns minutos de constrangimento, quando não se enxerga o que aconteceu com a esposa que passou pelo crivo dos carimbos e saiu por uma porta que se tranca. Foi uma neura passageira. Deu tudo certo.

Na hora de pegar as malas é que foi o bicho. As bagagens, no duro, iam caiando compassadamente, uma por uma, a cada cinco ou dez minutos. Sabe-se lá o motivo. O fato é que demoramos horas para receber os quatro volumes. Um casal de ingleses, perto de ter um treco, ficava olhando dezenas de funcionários parados e ninguém sabia explicar coisa alguma. Muito simpáticos, sorriam com a gastura dos passageiros. Era Cuba. Dizer o que?

Após esse dissabor corriqueiro, o nosso agente esperava atencioso, com um veículo confortável e uma conversa generosa. As avenidas largas, sem lixo e trânsito fluente, sopraram um ar de férias com muito acerto. Afinal de contas, confirmou ele, o nosso hotel era uma das pérolas de Cuba. O majestoso Meliá, com seus três restaurantes requintados, e ao lado do Havana club, a mais badalada e tradicional casa noturna da cidade. Foi o começo de uma jornada capaz de misturar farsa, pobreza, luxo e glamour num só caldeirão. Nas próximas semanas conto o resto.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Nion Albernaz e as flores murchas

Em minha restrita galeria de heróis da política goiana, o ex-prefeito Nion Albernaz ocupa uma singular posição. Até hoje, sob todos os aspectos, ele foi o mais expressivo prefeito a honrar o trono da prefeitura. Esse professor de gestos comedidos, fala pausada, cabelos brancos, olhar fascinante e uma aura de causar inveja, agiu com um brio administrativo que me deixou orgulhoso em pagar impostos.
Em sua gestão criativa, ousada e revigorante, sofreu injustiça de mentes opacas e gente miúda. Alguns que hoje certamente se envergonham de que fizeram, o apelidaram depreciativamente de “gestor das florzinhas” ou algo parecido. Erraram feio. Não fosse o afeito de beleza, e plasticidade didática que ele imprimiu aos logradouros públicos, Goiânia teria crescido com a aridez da pobreza visual que nivela as cidades por baixo.
Os belos parques atuais proliferaram porque ele deu o norte. Mostrou que essa concepção forçava a outras ações progressistas. Pena que muitos, sobretudo os gananciosos, tenham feito opção por modelos fajutos de ocupação urbana, fingindo qualidade de vida. As farsas se tornaram regra e não exceção.
Muito embora a capital jardim tenha sido a marca registrada de Nion, esse não foi seu único mérito. Albernaz tinha visão de futuro e senso do presente. Com arrecadação menos expressiva do que a atual, e no caldeirão de uma sopa em que fervia inflação, consegui manter a cidade limpa, equilibrou áreas verdes, acolheu crianças carentes num projeto qualificado, soube atender com razoável apreço a área da saúde, agiu sensatamente na área de educação e soube como poucos escolher seus auxiliares.
Era perfeito? Não errou? Longe disso, seu governo também amargou senões. Mas no comparativo com os sucessores, tenha paciência, o homem foi um gênio. Alguns vão alegar que a cidade cresceu e, na conseqüência, aumentaram os problemas. É fato. Mas comparem a arrecadação e verifiquem o acréscimo e verba versus habitante. Nesse contexto o enrosco dele era bem pior.
Uma pena que são poucos os políticos da safra de Nion Albernaz e Mauro Borges. O compasso era outro. O senso de vergonha impedia certas flexibilidades tão naturais no contexto 2011. Se me acusarem de saudosismo obscurecido pelo túnel do tempo, dou apenas uma resposta: façam uma pesquisa. Procurem quem viveu a era Albernaz e degustou o sal que temperou a capital nos anos subsequentes. Estou certo que ele será lembrado com saudades com direito a um troféu no topo das condecorações. Por essas e outras é que sua cabecinha de flocos de neve descansa cuidando de flores numa bucólica fazenda. Entendo que merece a paz dos passarinhos, sem a presença dos urubus da política.

Rosenwal Ferreira é Jornalista e Publicitário.

E-mail: rosenwal@terra.com.br
Twitter: @rosenwalf

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Que saudades do honesto Orlando Silva

O cantor Orlando Silva, batizado pelo locutor Oduvaldo Cozzi como o “cantor das multidões”, foi num Brasil bucólico repleto de vozes admiráveis, um dos mais importantes talentos da metade do século XX. Vozeirão de timbre perfeito que fazia chorar cantando sucessos como “Adeus” (Cinco letras que choram), “Capricho do Destino “e “Renúncia”, foi um exemplo de dignidade, conservando até o fim da vida seu jeito simples e sua origem humilde. Mesmo no auge de fama, lembrava com carinho os tempos de office boy, sapateiro e trocador de ônibus. Que saudade dos bons tempos desse Orlando Silva.

A versão século XXI é de amargar. O nosso Orlando Silva, o ministro que explica bandalheiras como se estivesse acelerando no rally da lama. Até agora só deixou dúvidas. Não é de hoje que nos corredores de Brasília se fala nas estripulias do Partido Comunista e nas ONGs fantasmas. Ele não inventou nada, justiça seja feita, ao que consta apenas continuou alimentando o trenzinho da corrupção.

As ONGs da ladroagem explícita representam um bezerro insaciável. Somente em 2010 mamaram cerca de 10,3 milhões dos contribuintes brasileiros. Confirmando apenas uma gota no oceano de malandragens, a Controladoria Geral da União demanda que os apadrinhados da bandalheira devolvam 10 milhões aos cofres públicos. Mas como o crime compensa, duvido que vá cumprir essa decisão.

Disposto a não largar o osso, o ministro Orlando Silva se recusa a dizer “adeus”. Ele apenas chora desculpas, acusa um complô da mídia e se esquece que foi um militante do PCdoB, ainda por cima fardado, é quem fala de peito aberto que tem provas do esquema de fraudes. Até o momento o policial João Dias Ferreira não recuou em absolutamente nada. É claro que existe a presunção de inocência. Mas a cada dia a sujeira se acumula num mau cheiro de causar nojo.

Pode até ser que o “capricho do destino” seja um fogo que teima em queimar o PCdoB. Mas intriga que os neo-poderososdo partido se lambuzem tanto em problemas. Nos ares do cerrado, ainda está por explicar o imbróglio do “mutretama”, episódio nebuloso em que se envolveu o Secretário de Esportes e Turismo da prefeitura Luiz Carlos Orro. Que coincidência o gosto que o PCdoB tem por essa pasta. Eu hein!!

Segundo minhas fontes, tem gente se borrando com receio das fiscalizações chegarem à turma que age em Goiás. As ramificações são de uma sordidez ímpar. A cada dia se comprova que as alianças de Lula se forjaram num esgoto de causar espanto. Não vejo diferença nenhuma em casamentos insólitos, realizados por encomenda e jogo de interesses, nos conchavos políticos de Goiás. O que faria o honesto e saudoso Orlando Silva? Certamente cantaria “Renúncia.” Prefiro Roberto Carlos na versão “e que tudo mais vá para o inferno.”

Rosenwal Ferreira é Jornalista e Publicitário.

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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Surge uma esperança contra a corrupção

Quem tem o mínimo de conhecimento dos humores do cerrado, sabe o quanto é difícil
reunir três mil pessoas, em pleno feriado, sem existir a promessa de mega shows, rodeio,
open bar e outros prazeres. A exemplo do que aconteceu em outras sociedades, nos tornamos
egoístas, centrados em interesses particulares e com foco no imediato. Entidades como UNE e
Sindicatos foram docilmente controlados, se transformando em inofensivos animais domésticos,
com mimos, agrados e benesses à custa do contribuinte.

Sendo assim, considero muito promissor que a Marcha Contra a Corrupção tenha
alcançado três mil cidadãos conscientes. Quem participou teve a sensação de estar presente
no plantio de uma fantástica semente. Os frutos podem ser colhidos em futuro muito próximo.
Os pessimistas acham que não muda coisa alguma e que foi um ato de gatos pingados a miar
ilusões. Erram. Os feitos notáveis da humanidade surgiram tímidos e vagarosos.

Nos Estados Unidos a luta por direitos civis, com foco principal na discriminação da raça
negra, foi se erguendo a partir de sonhadores num único veículo. Os pioneiros foram expulsos
e muitas vezes linchados pelos radicais movidos por ódio e ignorância. Aos poucos, na base da
coragem, surgiram lideranças e apoio consistente.

No Brasil, os movimentos pelas eleições diretas – participei ativamente e me lembro
bem – foram acontecendo em núcleos pequenos, residências, apartamentos e chácaras, se
esgueirando com medo de exigir direitos básicos. A coragem dos iniciantes logo contaminou a
nação e milhões foram às ruas. Foi impossível deixar de atender o apelo da nação.

Estou convicto de que os que atenderam o apelo para lutar contra a roubalheira do dinheiro
público, sem conotação política e sem partidarismo piegas, serão recompensados. Surge um
movimento puro, alegre, diversificado e contagiante. Livre das amarras do exclusivismo e da
presunção. Ergue-se acima dos exploradores de sempre.

É uma nova casta de estudantes, de operários, profissionais liberais, professores, jornalistas,
executivos, empresários e, sobretudo, de consciência democrática. Nenhum dos presentes
estava à procura de holofotes, de glória pessoal, de votos ou honrarias. Gente simples, famílias
honestas, pedindo o óbvio: Parem de furtar o dinheiro público! É pedir muito? Até esse momento
sim.

Rosenwal Ferreira é Jornalista e Publicitário.

E-mail: rosenwal@terra.com.br

Twitter: @rosenwalf

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

País onde cachaça é água

Por mais surpreendente que possa parecer, alguns de nossos parlamentares lutam para garantir o direito de ingerir álcool nos estádios em que se realizam jogos de futebol. A quizila mais forte se concentra na restrição da Fifa durante a copa do mundo. Vá lá que a entidade é um pé no saco e se acha proprietária do planeta. Mas como diria o farrombeiro José Genoíno, “uma coisa é uma coisa outra é outra coisa.” No caso em questão, os organizadores procuram defender os torcedores. Só os maus intencionados é que não enxergam o fator explosivo ao se aglutinar multidões, paixões emocionais e cachaça.

Os argumentos oscilam entre o risível e o oportunismo deslavado. O deputado do PT de São Paulo, Vicente Cândido, por exemplo, afirmou que “não dá para vender bebida no dia do show da Madonna e não vender no dia do Jogo do Corinthians. Qual é o pecado nisso?” Parece até brincadeira. Ele devia defender a tese abolindo bebidas, também e principalmente, nos eventos que reúnem milhares de pais de família. Retruco: qual o pecado nisso?

No País de ponta cabeça, danação que afeta a alma é defender posições corretas. Essa gente ordinária, que entra de sola no que eu batizo de lobby da pinga, veste o manto da hipocrisia e se recusa a enxergar uma cruel realidade. O álcool mata mais brasileiros do que guerras que consideram sangrentas. Qualquer palerma sabe que não oferecemos transporte público à altura da demanda, que as pessoas vão aos estádios em veículos particulares, que a fiscalização é impossível de ser realizada a contento e que muita gente vai padecer vítima de acidentes fatais.
Os embusteiros vão se apressar afirmando que o povão enche a cara de qualquer maneira. Então vamos facilitar! Certo? Errado! É necessário criar restrições capazes de evitar tragédias. O problema é que o país está minado de aproveitadores. Gente que joga para a platéia de forma inconsequente. Sempre dispostos a obter votos e simpatia sem medir os estragos em cascata.

Por essas e outras é que ocupamos a ingrata posição entre as nações em que o contrato entre álcool, direção e Lúcifer, é avalizado por autoridades. Os cemitérios, hospitais e cadeiras de rodas, comprovam que a parceria vai muito bem. Mas querem melhorar. Quem sabe mudando a lei geral da copa e oferecendo bebida de graça nas arquibancadas?


Jornalista e publicitário Rosenwal Ferreira

Twitter: Rosenwal
E-mail: rosenwalferreira@terra.com

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Iram Saraiva dignifica o cargo


Os amigos seletos que compartilham da intimidade do atual Presidente da Câmara Municipal da Goiânia, Iram Saraiva, são apaixonados pelo senso ético, a garra e a robustez que ele enfrenta as dificuldades cotidianas. Vítima de um acidente que o aprisionou numa cadeira de rodas, é um deficiente físico cujo nível cultural, bom senso político e lucidez, o faz pairar acima das mediocridades imperfeitas no trato da coisa pública.


Ele é um exemplo gratificante de como superar tragédias. Um exame de suas habilidades profissionais, da experiência em cargos de relevância, de especializações qualificadas, podem levar à conclusão de que está desperdiçado na atual função. É um ponto de vista errôneo. O seu equilíbrio está sendo fundamental nos destinos de mais de um milhão de habitantes.


Não fosse seu carisma e suas habilidades diplomáticas, a Câmara certamente teria se afundado, repetidamente, num lamaçal improdutivo. Em diversas ocasiões, Iram Saraiva soube conter os ânimos e impedir que o Plenário fosse palco do grotesco. Em alguns momentos, com o suor de dores que o flagelam, manteve-se firme ajuizando condutas corretas.


É uma figura humana que raramente reclama. São poucos que sabem de suas agonias, das dificuldades para se manter resoluto, imperturbável, nas longas sessões com discursos intermináveis. Definitivamente uma reserva moral na arte de fazer política em tom maior.


Mantém cacife para ocupar o cargo de Prefeito, Governador ou Presidente da República. Dignifica sua função pública oferecendo um exemplo de respeito. Atua com afinco e seriedade. Sua produtividade, numa cadeira de rodas, faz corar os que não possuem limitações e se lambuzam em patifarias. Todas as vezes que o vejo em ação, me conforto em saber que ainda existem pessoas de seu naipe recebendo um salário pago pelo contribuinte. É um cidadão que mantém a consciência tranquila no alicerce do dever cumprido. Fruta rara no pomar da politiquice brasileira. Há de se registrar.


Rosenwal Ferreira é Jornalista e Publicitário.


E-mail: rosenwal@terra.com.br


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