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quarta-feira, 20 de março de 2013

Djalma Araújo e o mergulho no caldeirão do diabo



            Calar o vereador Djalma Araújo nunca foi uma tarefa fácil, mesmo sendo o líder do governo na primeira gestão de Paulo Garcia, ele se ergueu contra as diatribes de Luiz Carlos Orro - no escândalo batizado pela mídia de “Mutretama”- e preferiu deixar o cargo a ceder às ameaças da raivosa turba do Partido Comunista.  No final, pela dor de cabeça que se transformou  a reforma do parque Mutirama e pelo desfecho da ópera, provou que tinha razões de sobra para se rebelar.

          Atualmente Djalma Araújo mergulha no caldeirão do diabo ao questionar assuntos polêmicos que envolvem as vísceras da cidade. Fiel ao seu estilo de botar a boca no trombone, afirma que existem colegas dispostos a destruir a região norte da cidade com foco apenas no vil metal. Sem entrar em tópicos que ainda carecem de comprovação, ele já tem a seu favor duas equações cabeludas, que demonstram má fé, ausência de escrúpulos e inoperância dos órgãos que defendem o meio ambiente e os interesses da coletividade.

         Uma das aberrações são as atividades da antiga indústria Unilever, que continua jorrando seu nauseabundo composto de infamares odores nos céus da capital. O quadrilátero da empresa é uma orgia de erros que se perpetuam. Outro desatino, com distorções que até os críticos de Djalma Araújo, incluindo o presidente Clécio Alves, concordam que precisa ser investigado, são as obras do Shopping Passeio das Águas.
           Até as pedras do moribundo rio Meia Ponte sabem que o empreendimento está sendo erguido na marra. Técnicos que entendem do assunto garantem que mananciais de água estão sendo criminosamente assassinados e que a canalização do riacho fere princípios básicos que protegem o meio ambiente.
      É fato que Djalma Araújo subiu o tom de suas críticas se indignando acima do que preconiza os bons laços do parlamento. Mas é um assunto que não pode tirar o foco ou desmerecer suas acusações. Quem possui um mínimo de informação sabe que a especulação imobiliária está de olho na região norte. Os tubarões do lucro fácil se lixam com a comunidade.
     
      Sendo assim, é de se aproveitar o fervor das emoções para separar o joio do trigo. A história demonstra que a Câmara Municipal de Goiânia é um celeiro de vendilhões do templo. Tanto que, ao longo do tempo, a cidade foi cedendo espaço a monstrengos que jamais deveriam ser erguidos porque destruíram a qualidade vida dos bairros. Tudo com o aval de órgãos públicos e a aprovação de vereadores com interesses umbilicais. É necessário romper esse ciclo para salvar o que resta.   

. Rosenwal Ferreira: Jornalista e Publicitário
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quinta-feira, 14 de março de 2013

Deputado Marcos Feliciano é o retrato de um parlamento na sarjeta



      Se tivesse um mínimo de decência, o deputado Marcos Feliciano teria enfiado a viola no primeiro saco disponível, pedido para ir ao banheiro e nunca mais retornava a sentar numa cadeira do parlamento brasileiro.  Ao invés de procurar uma saída honrosa, o pastor brucutu se recusa a largar o osso de uma função que não tem a menor condição moral de exercer. Sujeito que enxerga o mundo por uma ótica miúda - mostrando um preconceito de causar nojo - torna indigna a presidência da Comissão de Direitos Humanos.

      Ele não é o primeiro, e infelizmente não será o último, a rezar a cartilha da falta de escrúpulos e não dar a menor importância ao clamor popular. Na verdade, segue os trilhos do presidente do Senado, o nauseabundo  Renan Calheiros, que no maior cinismo ignora milhões de eleitores que rejeitam sua presença no cargo.
   
   Marcos Feliciano não é diferente de muitos de seus pares que contribuem para jogar o legislativo na sarjeta. Ele se torna mais visível, e talvez mais asqueroso, porque mistura o nome de Deus em sua lambança. Ao contrário de honoráveis bandidos, travestidos de parlamentares, que ainda conseguem dissimular o mau caráter que lhes corrói a moral, ele mantém, a seu desfavor, um histórico de frases que beiram a insanidade.

   Estão certos os que protestam contra sua indicação e, se justifica os achaques que ele recebe quando se atreve a pregar o nome do Senhor, nos templos do País. Inadmissível que alguém possa acreditar que todos os povos de uma nação sejam amaldiçoados, citando a bíblia para justificar tamanha estupidez.

       Suas declarações homofóbicas lembram horrores típicos de déspotas que perseguem seres humanos somente porque não concordam com seu alinhamento sexual. Infelizmente, tudo indica que vai continuar firme e seguro mantendo o cargo parlamentar. Duro de engolir é que ordinários de igual calibre são eleitos porque encontram admiradores que apóiam suas posições anacrônicas. Em resumo: a lama que cobre o parlamento brasileiro é uma cortesia dos eleitores brasileiros.     
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quinta-feira, 7 de março de 2013

Hugo Chávez foi vítima da própria farsa



           O sujeito miúdo que atolou a Venezuela numa “democradura” acabou sendo vítima da própria farsa. Convencido de que era uma espécie de semideus a pairar acima dos mortais comuns, não se conformou com uma enfermidade de solução complexa e se enrascou numa rede de mentiras acreditando que podia enganar a morte assim como  ludibriou o povo venezuelano e outros incautos que acreditaram em suas teses estapafúrdias, fruto de uma colossal megalomania.

           Fosse ele um ser humano ético, disposto a viver e conviver  no quadrilátero da verdade e transparência, poderia vencer a batalha contra o câncer e permanecer vivo. Mas ao ser diagnosticado optou por se refugiar numa ilha prisão e, para garantir o sigilo, se entregou aos atrasos da medicina cubana.  Se tivesse seguido os conselhos do amiguinho Lula, teria sido tratado no Brasil com pesquisas de primeiro mundo e condições médicas adequadas. Qualquer pessoa minimamente bem informada sabe que o mito que envolve a excelência da medicina na terra dos ditadores Fidel e Raúl Castro é apenas isso: mito.

        Quando chegam a centros desenvolvidos como São Paulo,  os doutores cubanos se espantam com os equipamentos de última geração e com os avanços encontrados. Infelizmente a turba da esquerda raivosa se recusa em aceitar a dura realidade de que Cuba, em todos os aspectos, é de um atraso umbilical. O resultado foi ter que encomendar o caixão de Hugo Chávez antes que seus seguidores pudessem entender o que realmente aconteceu.

           Por incrível que pareça, e depois que o mundo todo acompanhou o engodo, aparecem ditadores, e seus filhotes inconformados, a soprar teorias conspiratórias absurdas, querendo culpar forças ocultas do capitalismo pela morte do tirano. Uma bobagem que não faz senso a qualquer mortal que tenha pelo menos um neurônio em pleno funcionamento. Chávez apressou seu encontro com o além porque foi tratado de forma errada desde o início.

          Irreverente, e acostumado a dar ordens que não se questiona, exigiu uma terapia que permitisse sua presença bombástica nas eleições do País. Num momento delicado da enfermidade, em que o paciente deve seguir duras recomendações de repouso, alimentação e cuidados minuciosos, se entupiu de corticóides e similares e zarpou em exaustivas horas de campanha. Evidente que o organismo não suportou os excessos cometidos.

           Bem que os médicos venezuelanos alertaram para a gravidade do assunto e questionaram a estratégia dos colegas cubanos. Alertaram que o enredo seria desastroso ao paciente. E foi exatamente o que aconteceu. Os saudosos de seu estilo fanfarrão vão procurar transformá-lo em mártir e tirar proveito da tragédia pessoal. Jamais vão conseguir esconder realidades factuais. Hugo Chávez será enterrado numa cova de mentiras e enganações. Comprovando que a farsa inevitavelmente acaba engolindo o farsante.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Adriana Ribeiro, uma delegada que dignifica a polícia civil e honra o papel da mulher na sociedade.

 
      Filha mais velha de uma família de três irmãos, a delegada Adriana Ribeiro cresceu cuidando dos irmãos com rédea curta. Natural de São Paulo se apaixonou por Goiânia, cidade em que reside há trinta e cinco anos. As raras pessoas que fazem parte de seu restrito grupo de amigos íntimos ressaltam seu lado sensível, que se derrete com facilidade no trato com seus dois filhos lindos, que ela cobre de mimos. Aluna dedicada era a queridinha dos colegas, no Ateneu Dom Bosco.

       Na época, não podia prever que algumas de suas boas amigas iriam ser colegas de profissão. Talvez num amalgame de visões com idêntico espírito comunitário, sempre foi vista em sorrisos mil com Adriana Accorsi e Karla Fernandes Guimarães. Anos depois a primeira se tornou Delegada Geral da Polícia Civil, e a segunda Delegada Titular da Mulher.

       Estudante zelosa mostrou-se uma mulher de opiniões firmes e indagações que às vezes irritavam os mestres. Nunca foi uma aluna de se conformar com dogmas que não podiam ser questionados. Meticulosa nos trabalhos e dedicada a longas horas de estudo árduo, concluiu com brilho a pós-graduação em Direito Penal, Processo Penal e se especializou em Gerenciamento e Segurança Pública. Sempre a procura de ampliar conhecimentos, segue a vida acadêmica na área de mestrado em Direito e Relações Internacionais pela PUC/GO.

     Depois de um ano atuando como advogada prestou concurso para Delegada da Polícia Civil e foi nomeada no pipocar do buggy do milênio, quando muitos achavam que a Terra iria se transformar em pastel frito, no badalar do ano 2000.  Seu batismo na carreira foi no epicentro de um vulcão de violência e criminalidade no entorno de Brasília mais especificamente na cidade de Novo Gama. Como delegada titular em Luziânia, aprimorou seus conhecimentos investigativos demonstrando rara habilidade na elucidação de crimes. Sua garra, e senso de responsabilidade, chamaram atenção, e a jovem de gestos cordiais fez história sendo a primeira mulher a ocupar o cargo de delegada adjunta na Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de veículos, um reduto antes restrito apenas aos homens.

       Esse é apenas o verniz, uma moldura longe das agruras reais numa heróica carreira, cujos detalhes dariam um livro. Mas vale como registro para que as pessoas de bem saibam quem é a delegada Adriana Ribeiro cujo trabalho mais recente desvendou o assassinato do radialista Marcos Valério.

       Os que tentam – em vão – desmoralizar seu minucioso processo investigativo, desconhecem o molde em que se forjou a doutora Ribeiro. Paciente, criteriosa e ética, se firma como profissional nos trilhos do absoluto cumprimento da lei. Acostumada a ver o diabo amassar o pão, já se engasgou várias vezes com o carvão das ameaças e jamais aceitou uma fatia sequer de propinas oferecidas de bandeja. É a mulher certa na solução de um crime que envolve poderosos de todos os matizes. Ao contrário do que se procura alardear, nunca esteve perdida. Para o azar dos envolvidos, foi capaz de desvendar o que devia ser um crime perfeito. 

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Prisão de Maurício Sampaio é uma corajosa vitória da democracia



       Prisão de Maurício Sampaio é uma corajosa  vitória da democracia

           O jornalista Nilson Gomes, profissional que respeito e um amigo de longa data, utilizou sua capacidade de alinhavar raciocínios para defender pronta liberação do empresário Maurício Sampaio, apontado como principal suspeito de ser o mandante do brutal assassinato do jornalista Valério Luiz. Ao contrário do que apregoam os críticos, ele não escreveu sua tese para agradar o patrão, visto que exerce um cargo de confiança na emissora de rádio que pertence a Maurício Sampaio. Nilson é de uma raça que só atua por convicção pessoal.  

           Mesmo considerando que Nilson Gomes orquestrou indagações pertinentes, não concordo com sua tese. A prisão de Maurício foi ajuizada de forma qualificada, num paciente trabalho policial que montou um quebra-cabeça que se encaixa em detalhes que chocam. A coragem em deter um homem tão poderoso, cujos laços de amizade unem figuras carimbadas no meio jurídico e social, foi uma vitória da democracia.

      Torna-se muito claro que um crime complexo e encomendado, não comprova participações como um documentário inquestionável. As pilastras de sustentação são de outra natureza. Eu não acredito que pessoas sérias, sejam elas jornalistas, advogados, delegados e etc., sejam capazes de incriminar um cidadão apenas por ele ser rico. Principalmente considerando que os milionários são eficientes em revidar quando possuem razão.

       O histórico de Maurício Sampaio pesa contra ele. Colegas jornalistas confirmam que sua intolerância contra profissionais da imprensa é um arrazoado de violências verbais e físicas. Isso prova que ele participou do assassinato? Claro que não! Mas se entrelaça como complicador do enredo em questão.

       Na proposição de que ele seja vítima de um absurdo complô, e que o verdadeiro poderoso seja o Manoel de Oliveira, por que Maurício não utilizou os holofotes da mídia para se defender? Garanto que teria um espaço até maior do que os que o acusam. Ainda hoje, mantenho de pé uma proposta que fiz para entrevistá-lo, ao vivo, sem edições.  
   
      Homem culto, articulado e com amplos conhecimentos de todos os detalhes, estou convicto que Maurício Sampaio seria capaz de esclarecer item por item e rechaçar todas as especulações. Na condição de inocente, e de vítima de uma trama tão sórdida, trilharia o caminho para calar a boca dos difamadores.

        Convenhamos, se a conspiração se desqualifica nos moldes que Nilson apresenta é bobagem contratar um batalhão de advogados. Convoque-se uma coletiva, responda todas as perguntas e exija acareação com os caluniadores. Não descarto a hipótese da inocência de Maurício Sampaio, que até o momento é apontado como suspeito.  Mas sendo principal interessado, em se livrar das acusações que surgiram desde o primeiro dia do crime, não percebi nele a indignação dos injustiçados.

           Mais difícil ainda é engolir a teoria de que alguém, de birra, decidiu colocar um poderoso na cadeia e escolheu Maurício. É uma denúncia muito séria que desqualifica juízes, promotores, delegados e dezenas de jornalistas que acompanham a tragédia. Num aspecto concordo plenamente com o digno Nilson Gomes, é inegável o sofrimento das famílias envolvidas.

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Renan Calheiros envergonha o PMDB e afronta à nação



         Que o senador Renan Calheiros lava o rosto, de manhã, com óleo de peroba nunca foi novidade para ninguém. Até os engraxates de sua terra natal sabem que ele não se envergonha de ser um cara de pau assumido. De todas as podridões que corroem a alma do ser humano, Calheiros agrega um repertório de arrepiar Belzebu. O homem é adúltero assumido e alardeado aos quatro ventos. Enrosca-se em desvios de verba, maracutaia explicita. Atola-se em fraudes, promove traições e tornou-se um dos ícones da falta de ética que destrói as vísceras do país.

        Apesar de tudo isso, e talvez em algumas rodas justamente por essa ausência de caráter, tornou-se presidente da mais alta esfera legislativa do país. Na base da sem-vergonhice deslavada, o sujeito ignorou que poucos meses atrás deixou o cargo pressionado pelo esgoto das patifarias e retornou cinicamente. Teve o voto da maioria dos parlamentares que se tornaram cúmplices de uma imundice que choca.

       Mesmo desqualificado, se muniu de uma arrogância ímpar e passou a afrontar a consciência das pessoas de bem. Arrotou desprezo a mais de trezentas mil pessoas que pediram que ele retirasse a insana candidatura e, hoje, toma café da manhã em mesa farta rindo de milhões de eleitores que assinaram um manifesto pedindo seu impeachment.

      Debochado e maquiavélico sabe que sua permanência no cargo traz a certeza de um parlamento umbilical. Tem o apoio de cúmplices interessados na arte de esgotar as tetas do contribuinte. Renan Calheiros topa urdir traquinices de todos os matizes e não é daqueles frouxos que sentem náusea ao surrupiar os cofres da nação. Garante a festa de arromba que nos assalta o cotidiano.

      Que ironia que esse arremedo de homem público esteja contribuindo para tornar putrefata uma agremiação com origens em Ulisses Guimarães. O PMDB com tantos homens ilustres, incluindo o nobre senador Pedro Simon que mostrou sua náusea ao engolir Renan Calheiros, não podia se afundar no lixo com um vulto tão mesquinho.
      Causa espanto que ele ainda esteja resistindo a tudo e a todos em nome de sua ganância e seu desprezo pela vontade popular. Mais intrigante ainda são os governantes que o apóiam nesse que se tornou o mais repugnante ultraje ao sofrido povo brasileiro. Que nojo.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Padre Luiz Augusto e o noivado com o vil metal



         Como se fosse uma vela acessa a derreter parafina, o Padre Luiz Augusto se desmorona aos poucos mostrando que a cúpula da Igreja Católica estava certa em frear seus arroubos. Sob o manto do bom cristão, e com uma oratória capaz de arrebatar corações, ele foi tomando gosto na arte de encher as tulhas de sua paróquia com o capim do capitalismo selvagem. Com o foco no vil metal, mesmo que direcionado a bons propósitos, se enriqueceu de amigos endinheirados tornando-se, por excelência e de propósito, um pop star entre os ricos e famosos.
         Fiel ao estilo capaz de paparicar quem possui gaita para tocar o que dá na telha, ele foi um dos primeiros a visitar, na delegacia, o empresário Maurício Sampaio, apontado como principal suspeito de ser o mandante do assassinato de Valério Luiz, o radialista. Nada de errado com o gesto. Até acho que o soberbo milionário, dono de cartório, emissora de rádio, fazendas e centenas de propriedades, é uma alma amargurada que precisa de conforto. Sobretudo se for comprovada sua diabólica participação num crime com tamanha crueldade e covardia.
        O desconforto é que o Padre nunca foi de rezar o terço junto às figuras envolvidas em delitos de sangue. Ao que tudo indica Maurício Sampaio é de uma casta que merece expedita ação do pregoeiro da Santa Sé. Imagine deixar ao léu das grades uma ovelha capaz de assinar cheques e doações capazes de balançar crucifixos? Deus nos livre de tamanha heresia. Deve ter raciocinado o Padre dos podres de rico e dos ricos que se fazem podres.
         Mesmo sendo amigo de santos que se invoca de joelhos, Padre Luiz não teve proteção e acabou esbarrando, na porta do Distrito Policial, com o sofrido Mané de Oliveira que ainda carrega no peito o coração inerte e ensanguentado do filho executado a sangue frio. Com olhar dilacerado pela dor, Mané ainda encontrou forças para cravar uma indagação visceral: “Padre, o senhor não foi rezar no enterro do meu filho!” Pobre Mané, diria Carlos Drummond, a algibeira da família dele não é das que atraem as batinas do Padre Luiz.
    De qualquer forma, tudo indica que o poderoso Maurício Sampaio vai precisar mais do que missas encomendadas para se livrar da canga que lhe pesa os ombros. É fato que seu quarteto de advogados é um vulcão que jorra poderes e influências que somente as grandes fortunas conseguem ajuntar no mesmo curral. É por isso que mesmo no sufoco ele sorri com indisfarçável ironia.  
           Felizmente os tempos são outros. A investigação policial não se curva aos barões da dinheirama, o judiciário se firma como um poder acima das nobrezas que pensam controlar a tudo e a todos, a imprensa continua livre e as redes sociais representam um extraordinário papel. Como se não bastasse, a justiça divina não reza na mesma cartilha do Padre Luiz. Na bíblia está escrito: “vinde a mim os mansos e humildes de coração.” Sugiro ao Padre Luiz, a quem já tive a oportunidade, no passado de elogiar e admirar, que releia as escrituras no tocante aos ricos...
Rosenwal Ferreira: Jornalista e Publicitário
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