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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Vítor Lenza e a lambança no Tribunal de Justiça

Não há mérito algum, mas fui o primeiro jornalista a alertar que o tal meio período no Tribunal de Justiça e no Ministério Público era um desastre anunciado. Na matéria, citei todos os insanáveis itens negativos exortando o presidente, Desembargador Vítor Barboza Lenza, a pelo menos adiar sua decisão até que pudesse ouvir servidores, advogados, juristas e representantes dos usuários.


Imaginei que o respeitado veterano não se jogaria numa aventura digna de um adolescente turrão. Infelizmente estava enganado. Apesar de suas inegáveis qualidades, hoje merece o título de cabeça de ferro. Sua birra em manter a resolução é mais infecunda do que um código ultrapassado.


Não é à toa que jorram críticas de todos os lados. Os próprios colegas lamentam a iniciativa. A OAB já se posicionou firme contra a medida. Os funcionários estão furiosos; a população, insatisfeita; e Lenza mantêm o boing de suas decisões em queda livre. A troco de que? Só para não dar o braço a torcer? Não pode ser.


Uma ideia da lambança: ontem os elevadores chegaram a demorar cerca de 30 minutos para completar uma viagem. Para não dizer que ninguém aprovou, os proprietários de estacionamento só faltam chamá-lo de santo. Tem gente até fazendo novena em sua homenagem. Eles dobraram o faturamento. Os profissionais vão amargar meio salário mínimo para estacionar um carro popular. Os irônicos arrematam: ainda bem que o transporte coletivo é um primor de eficiência.


Segundo consta, o argumento mais consistente se encaixa na redução de despesas. Tudo bem. Até faz senso. Entretanto, se a coisa é tão drástica, por que não fechar as portas e abrir apenas três vezes por semana? No duro, seria preferível isso a manter uma situação burlesca e improdutiva até os ossos sob o insustentável argumento de que a norma tem o objetivo de contribuir com os usuários.


É possível que o digno Dr. Vítor Barboza Lenza não seja o único culpado pela maquinação mal ajambrada. Contudo, é o responsável moral pela ação e o interlocutor adequado para retificá-la. Uma autoridade togada com o seu gabarito deve saber que, muitas vezes, retroceder é melhor do que avançar. Reconhecer e corrigir um erro é uma saída mais do que honrada.


Rosenwal Ferreira é jornalista e publicitário

Twitter: @rosenwalf

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