Seguidores
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
O maravilhoso professor de yoga
Na Índia, o confortável aeroporto da cidade de Dehra Dun se transforma num portal para incríveis aventuras. Por uma ninharia, qualquer taxista está disposto a percorrer as belíssimas e sinuosas estradas que beijam o início do Himalaia, permitindo que os turistas possam descansar na bucólica Mussorie, um vilarejo que repousa, como se estivesse perdido no tempo, a mais de dois mil pés de altitude.
Em meio aos vendedores de peixes frescos, flores, mercados de verduras, artigos de lã e operários que cobram cerca de um real para transportar de bicicleta um casal por mais de um quilômetro montanha acima, é possível vislumbrar uma paisagem de tirar o fôlego. Para se ter uma ideia, a neblina que cobre o vale realiza uma dança com o sol que produz múltiplos arco-íris. Quando a cidade acorda, no frenesi da madrugada, é possível ouvir os soldados da mais antiga academia policial do país rindo às gargalhadas. Faz parte do treinamento rir solto no início dos exercícios. Os simpáticos habitantes aproveitam para curtir e dar risadas em conjunto.
Foi nesse local, mais especificamente no final da Camel’s Back Road, que eu e minha bela esposa Kétina ouvimos falar de um maravilhoso professor de yoga, conhecido como mestre Swami Yoganand. Ele ministra aulas no prestigioso Parmarth Niketan, joia da cultura Indiana
Administrado pelo guru Pujya Swami Chidanand Saraswatiji, o Asharam do mestre é algo inacreditável. Um local mágico localizado na margem direita do Ganges, acessível por uma ponte suspensa, por onde transitam em caótica harmonia macacos, vacas, cabritos, mulas, lambretas, bicicletas, peregrinos de todas as partes do planeta, no amalgama de ricos indianos e mendigos que dormem ao relento.
Sem exceção, todos procuram a energia que corre nas veias do Ganges. O centro de cultura possui mil apartamentos com água quente e nível razoável de conforto. Incluindo café da manhã, almoço, lanche e jantar, a diária não chega a cinquenta reais. Tivemos sorte de pegar um quarto de frente para o rio sagrado. Confesso que jamais senti uma emoção semelhante. Durante a noite, com o silêncio que se rompe apenas com o badalar dos sinos que acordam os Rishie Kumar às quatro horas da madrugada, o rio sussura uma melodia que embala os sonhos. Uma sensação indescritível.
Apenas o Parmarth Niketan se presta a escrever um livro. Explicar as centenas de estátuas que se erguem como joias entre as flores, justifica centenas de páginas. A cerimônia que acontece ao entardecer é tão expressiva que vou guardar para outro artigo.
Mas vamos ao professor que justificou uma mudança de rumos na especialização de yoga de minha Kétina. Acordamos às cinco horas da madrugada, como manda as regras dos alunos. No amplo salão vermelho já estava o mestre em posição de lótus. Nas primeiras instruções, deu para notar a rigidez do famoso professor com seus discípulos, também mestres, Sandeep e Surya. Aos gritos, não aceitava o menor deslize nas instruções.
Como amador nivelado por baixo, seus auxiliares sofreram para corrigir minhas posturas. Mesmo assim, sequer cheguei perto do ideal. Em todo caso, como leigo curioso e dedicado, não achei a aula nada excepcional. O tal magnífico, embora lépido e ágil, não me pareceu justificar sua fama na arte da saúde holística.
Como sou jornalista, e não expert em yoga, me atrevi e perguntei: afinal de contas o que esse mestre tem de especial além do seu nítido mau humor com os mínimos detalhes? O amável indiano, certamente rindo de minha ignorância, respondeu com um largo sorriso: “Nada demais a não ser o fato de que ele tem cem anos de idade”. Quase tive um treco. O centenário velhinho merece o título de Wonderfull Yoga. Aliás, essa é a especialidade que ele ensina.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Adrenalina nos ares do Brasil
Conhecido por vários nomes, tais como campo de aviação auxiliar, galinheiro enjeitado, armadilha a céu aberto e outros não publicáveis, o Aeroporto Internacional Santa Genoveva é como se fosse um portal para o inferno. No último domingo, os veículos se enfileiraram no arremedo de desembarque num prenúncio da sauna que ardia nas vísceras do entreposto improvisado. Na única antessala existente, os passageiros da agonia se amontoavam no estilo ônibus urbano lotado. A maioria de pé dando graças a Deus pelos aviões que partiam no horário combinado.
Mas como estamos no Brasil, nação do atraso estrutural crônico, levantar vôo pode se transformar num pesadelo pior do que amargar espera na ratoeira do cerrado. No percurso realizado pela empresa aérea Gol para São Paulo, horário das 20h20, após uma hora da decolagem, o comandante avisou sem rodeios: “A torre de Brasília informou que existe excesso de aeronaves para aterrissar no Aeroporto de Guarulhos – muitas até já se dirigiram a outros locais – não sabemos como o problema será resolvido.” Dá para acreditar?
Para meu espanto, a maioria dos viajantes não deu a menor pelota. A turma do Timão, que ocupava boa parte das cadeiras - sabe se lá por que - passou a cantar Salve o Corinthians. Somente a besta desse jornalista é que ficou imaginando que iria encontrar São Pedro antes de Fidel Castro, numa morte pra lá de humilhante.
Após mais 50 minutos de agonia, o sádico do piloto informou que “havia uma autorização para pousar, mas tinha sido cancelada vítima de três aviões que estavam prestes a ficar sem combustível.” Eu pensei na hora: e daí seu puto? Tá me dizendo que corro o risco de não viver para aplaudir o Vila Nova dando uma surra no Goiás? Logo agora que o periquito entrou na jaula da série B?
No final, sacolejando como a saudosa jardineira que fazia o percurso de Rio Verde à fazenda do meu pai na década de 60, chegamos são e salvos a maior cidade do País, símbolo de progresso. Bobagem, em se tratando de caos aéreo, a democracia brasileira é para valer. Em Guarulhos homens de negócios e turistas amargam a mesma sina dos goianos. Domingo a noite, mesmo com os saguões lotados, maioria dos bares e restaurantes estava fechado e os que ainda atendiam sequer tinham gelo para a Coca-Cola. Apenas o McDonald’s se oferecia firme e qualificado na proposta de engordar quem podia se dar o luxo. Em todo caso, estou criticando de barriga cheia. Devia relaxar e gozar, agradecendo a adrenalina que o governo oferece. Muito obrigado.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
As sementes de Brizola e do banditismo em Goiás
Quem possui um mínimo de registro histórico sabe que Leonel Brizola avalizou a ocupação dos morros pelo narcotráfico. Com seu jeitão populista, egoísta e inconsequente, ele plantou um câncer social impedindo a polícia de subir os morros cariocas. O resultado é essa balbúrdia cuja solução é apenas um fósforo riscado no túnel escuro que se transformou o Complexo do Alemão. É um belo começo, mas tênue início numa guerra que, se não houver recuo, vai durar décadas.
Alguns hipócritas da política goiana ocuparam a mesma trilha de Brizola. Iris Rezende Machado atolou famílias na periferia criando guetos que facilitam o banditismo e dificultam a ação da polícia. O curral de votos se mostrou tão eficiente que ele exigiu, segundo consta sob a ameaça de desapropriar a área, 500 lotes no parcelamento da atriz global Glória Pires e Orlando Morais, negando a criação de um condomínio fechado e organizado. Para os especialistas da VerdiVale, entidade sem fins lucrativos que tenta proteger a água da Capital, a aprovação do projeto é uma aberração com sérias consequências ambientais.
Rezando na cartilha do atraso Isaura Lemos e Euler Ivo, donos do PDT em terras do cerrado, tentaram asquerosamente estabelecer princípios brizolistas
O incidente foi uma tentativa de testar a capacidade de reação do Estado. Se tivesse cedido, ações ilegais pipocariam em todos os rincões. Falsos de plantão até hoje procuram denegrir heróicos policiais que participaram da operação.
O exemplo do Rio de Janeiro serve como alerta. Durante muito tempo intelectuais da ala podre, falsos defensores dos direitos humanos e aliados da esquerda raivosa, protegeram a ação de quadrilhas, difamando os policiais. Existem os que se dedicam sistematicamente a esse propósito. Profissionais da dissimulação, estão sempre ao lado da baderna.
Alguns, como o Deputado Mauro Rubem, são notórios - sem entrar no mérito - no apoio a greves e no julgamento negativo das forças policiais. Que a lição do Rio de Janeiro possa arder em suas consciências. É necessário cair na real. A polícia é a última barreira entre a ordem e a barbárie. Para vencer o crime é necessário força e coragem. Chega de politiquice. Cadeia neles, e se for preciso, bala...
Rosenwal Ferreira é Jornalista e Publicitário


