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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

De acessores a assessores

O profissional que atua no suporte de comunicação com a imprensa é de um valor inestimável. Sendo qualificado, ele entende as dificuldades dos colegas jornalistas, consegue transmitir informações corretas, estabelece um elo ético, defende o chefe sem bajulações, envia material qualificado e, nos momentos de crise, é o primeiro a realizar visitas pessoais evitando quizilas irreversíveis. Sabe distinguir, e realiza essa tarefa com atributos culturais e refinamento, o item público do privado.

Esse relevante companheiro de lutas cotidianas dignifica o soldo recebido e, regra geral, normalmente é remunerado com salário abaixo do que merece e não participa de orgias ou negociatas para incrementar o contracheque. A maioria deles se transforma em amigos valiosos. Mesmo na discórdia, terminam as diferenças em paz e fidalguia.

Infelizmente, como em toda profissão, existem os calhordas que transbordam cretinice e, atolados na bajulação, sequer possuem tempo para estudar gramática. Não se admire se um deles entregar um ensebado cartão de visitas, em letras douradas, alardeando títulos e se firmando como “acessores”.

Adotam funções de réptil, de carrascos da guilhotina. Incitam tricas e futricas, embaralham informações, caluniam jornalistas, incitam retaliações de baixo nível, clamam corte de verbas, exigem o afastamento de quem checa informações delicadas e, principalmente, ficam pendurados nos testículos dos patrões como se fossem carrapatos de estimação.

Às vezes, envergonhados da função justamente porque a exercem com perfídia, assinam artigos omitindo a função que ocupam. Nas “joias” que escrevem, o chefe é louvado ao endeusamento. É a única estratégia para segurar o emprego. Não importa se o texto, ou o puxa-saquismo explícito nos bastidores, os remete ao vexame. O que interessa é repetir suinamente o mantra do chefe da manada.

Os mais afoitos juram, e se preciso for documentam, que o patrão inventou a bola, que seus ancestrais é que permitiram a utilização da luz elétrica no planeta. Que o seu grupo está erradicando a proliferação de piolhos na periferia, que o Papa condecorou seu protegido em cerimônia privada e afiançam, sob juramento, que o “boss” solta gases cheirosos.

O pior delito dessa ordinária minoria, que inferniza o ofício do jornalismo, é que se lixam para os escrúpulos e, sempre que podem, participam ativamente da bandalheira. Defendem corruptos com virulência porque usufruem da corrupção. Se perderem os cargos, para os quais foram ungidos sem concurso público, sequer conseguem emprego limpando latrinas. Os que se ocupam dessa função, é necessário ressaltar, são mais nobres do que os tais “acessores”. Eles limpam merda, os fajutos da “acessoria” as espalham.



Rosenwal Ferreira é jornalista e publicitário

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