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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Policiais em pânico

Reportagem de capa do Jornal Diário da Manhã de terça-feira, 31 de maio, revela a face cruel de um submundo de criminalidade que Goiás não conhecia. Começa a ruir a última trincheira entre o banditismo e os resquícios de civilização. O policial fardado – símbolo da proteção das famílias – está acuado, intimidado e sendo vítima da violência que deve combater. A exemplo do que aconteceu no Rio de Janeiro, para citar apenas uma boa lição, a situação se inverteu e são os agentes da lei que temem o os crimes.

Nós registramos em vários artigos, e comentários de TV, a preocupação com o massacre midiático da PM, momento em que grupelhos encastelados na imprensa movimentaram uma perigosa jornada de manchetes negativas. Tendo como pano de fundo denúncias justas, chefetas do jornalismo irresponsável utilizaram artifícios para elevar índices de leitura e audiência sem medir consequências. A corporação foi jogada no fundo do poço com lama até o pescoço. As quadrilhas deliraram.

O estilo de pressão foi tão destruidor que não deixou margem para defesas. Os poucos que se ergueram (e faço questão de lembrar que me incluo entre eles) foram classificados como defensores de grupos de extermínio. O rápido curso da história prova que não era nada disso. Hipócritas envolvidos no processo clamaram por uma polícia em moldes suíços. Esqueceram-se de importar quadrilhas europeias.

Quem tinha um mínimo de conhecimento da violência que esgoela os goianos, sabia que o problema não estava na farda preta e na coragem dos profissionais da Rotam. Como grupo de elite treinado para situações de risco, eles não eram, nunca foram e não são a causa da violência. Representam o rigor máximo de quem só entende a linguagem da força bruta. O show de notícias, com formadores de opinião julgando e condenando, estimulou a sociedade a uma sentença às avessas. Deu na situação absurda que se enfrenta.

Ninguém preconiza acobertar erros de conduta ou deixar de punir assassinos de farda. Contudo, houve um linchamento moral, vítima de uma meia dúzia de errados. Muito do que foi alardeado de forma bombástica nunca se comprovou. Onde estão afinal os cemitérios clandestinos? Cabe agora refletir, contribuindo para corrigir o estrago. Com os policiais encarcerados em presídio de segurança máxima, estabeleceu-se a falsa impressão de que o bem venceu o mal. Ou seja: a perversidade estava na PM.

Mais um caso em que o casuísmo teatral prevaleceu sobre o bom senso, incitando medidas populistas, injetando a bílis do medo nos policiais e o veneno da coragem no banditismo. E agora? Quem vai encarar? O famoso radialista que soltava gritinhos de malignidade? O rapagão televisivo de punhos abertos e língua ferina? A chefa de redação que chegou a uivar de prazer com o aumento da tiragem do jornal? Definitivamente não. Eles já estão cobrando da Polícia Militar ações mais enérgicas. Que nojo.

Rosenwal Ferreira é Jornalista e Publicitário

Twitter: @rosenwalf

3 comentários:

  1. Parabéns Rosenwal. Fantástico artigo. Vc deveria escrever mais sobre isso. Estão acabando com a PM em troca de venda de mídia. Pode ser tarde demais quando acordarem.

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  2. Adriano Esperidião2 de junho de 2011 07:52

    Realmente, Rosenwal, oportuno seu artigo. Poder e responsabilidade devem andar juntos. A grande mídia consagra-se como o quarto poder, pois massifica a informação e, num país de baixa cultura como o nosso, molda valores e opiniões. A caneta do jornalista, o microfone do apresentador, o teclado do editor são instrumentos da livre expressão, mas podem ser convertidos em potentes armas, levando violência e morte a muitos, em nome da audiência e do incremento na tiragem. Vivemos isso com a condenação sumária da corporação, pela grande mídia goiana, pelo erro de alguns PMs. Os bandidos ganharam um presente. Com a atitude de "não tenho nada com isso", estampam no jornal de hoje que maio foi o mês mais violento da história.

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  3. Memorável sua posição diante disso. Parabéns pela reportagem. Nós que vivemos o cotidiano nas ruas é que sabemos o quanto isso tudo é verdade. E é lamentável o quanto ás vezes o jorna lismo é ignorante... hipócrita, irresponsável... Que nojo.

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