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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Apesar dos porcos, Goiânia está limpa

No delicioso feriado de terça-feira – um dia lindo com temperatura amena e o sol do cerrado aquecendo a manhã em brando equilíbrio –, eu acelerava meu veículo num trânsito em cortesia nas largas pistas da Avenida Goiás Norte, embalado na sensação de cidadania de primeiro mundo. A capital é bela, comentei com minha esposa Kétina. Para o meu desencanto, como se fosse uma maldição a me trazer de volta à realidade, duas moças gorduchinhas (podiam ser magras, mas eram estilo barra pesada) terminaram de bebericar suas latas de cerveja e as jogaram na rua, como se o logradouro público fosse seu chiqueiro particular. Inconformado, desci do carro, catei as embalagens e as coloquei no lixo. As madames – refinadas cavalgaduras protegidas em seu CrossFox vermelho – ajeitaram todos os palavrões de seu culto repertório para xingar meu gesto de protesto. Coitadas, sentiram-se ofendidas porque lhes mostrei o caminho da civilização.
A capital ainda é limpa, num padrão que impressiona até estrangeiros exigentes, por um gigantesco trabalho realizado pela Comurg. Infelizmente boa parte da população ainda se arrasta na barbárie. Não entende regras básicas de convivência comunitária. São muitos os motoristas que limpam suas pocilgas ambulantes nas sarjetas, comerciantes inescrupulosos lançam dejetos a torto e a direito. Donas de casas não embalam o lixo de forma adequada, e os nossos feirantes nada contribuem para diminuir o trabalho dos garis. Assim prossegue o bonde da insensatez.
O prefeito Paulo Garcia assim como o digno Luciano da Comurg estão de parabéns. Não é fácil tomar conta do lodaçal. Contudo, bem que poderíamos dar um passo importante para corrigir distorções que se perpetuam. Seria interessante agilizar ações capazes de instruir as crianças da rede pública. Ato contínuo: deveríamos realizar campanhas de publicidade, a exemplo do que presenciei em Florianópolis, conscientizando a população. No lugar de fazer propaganda inútil, como essa de contar que no futuro será construído o Parque do Mutirama, vale mais tentar conter o ímpeto dos Sus scrofas urbanos. E mais, passou da hora de se criar uma força tarefa específica de fiscais para multar os adeptos da imundice, doa a quem doer.
Segundo cálculos dos especialistas, se diminuir em 30% a lambança dos que emporcalham a cidade, a redução de custos ultrapassaria meio milhão de reais por mês. Como se percebe, nem tudo é culpa dos políticos ou da má administração da coisa pública. Muito do que amargamos ainda é resquício do atraso visceral. Esse que nos faz enxergar as vias públicas como latrinas particulares.
Rosenwal Ferreira é Jornalista e Publicitário
Twitter: @rosenwalf

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