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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Goianos à mercê do banditismo


     Enquanto o Rio de Janeiro mostra que é possível enfrentar as múltiplas máfias encasteladas no labirinto dos morros e favelas,  o Estado de Goiás se torna um refúgio deleitável ao banditismo. Atualmente o cidadão sequer tem sossego para tomar uma caneca de cerveja nos bares da capital. É assustador perceber a nefasta decadência no segmento de segurança pública que afeta nosso cotidiano. Se antes era possível encontrar bolsões de tranquilidade, hoje a violência “democratizou-se”.  Com exceção dos condomínios fechados – ilhas da fantasia acessível a poucos mortais – ninguém está seguro em lugar algum.

    Muito embora a explicação simplista tenha foco na migração das quadrilhas, outros fatores  contribuem para degradação de nossa tranquilidade urbana.  Falta um catalisador profissional capaz de impedir erros que afetam a produtividade da força policial. Até um leigo percebe que a Polícia Militar ficou desmotivada pela desastrosa operação Sexto Mandamento. Desnecessariamente, uma tropa de elite foi desmantelada da noite para o dia e, homens  de fibra nivelados a bandoleiros.

     As sucessivas greves da Polícia Civil, gerando danosos retrocessos de negociação, demonstram inabilidade que cai no colo da população. A sensação de abandono do cidadão de bem, causa euforia em assaltantes, estupradores e narcotraficantes. A impressão é de que tudo é possível numa terra com as forças da lei de braços cruzados.

     O agravante é que os malfeitores chegam aos bandos com armamento e ações sofisticadas, enquanto o escopo da legalidade se atola em delegacias mal ajambradas, armamentos obsoletos, viaturas lentas e ultrapassadas, comunicação ineficiente, verbas reduzidas e ausência de um plano à altura da gravidade que se vivencia.

   É de se considerar que o Governo Federal não cumpre a contento nenhuma de suas obrigações básicas. Seja no repasse de recurso que o momento exige, seja numa estrutura nacional capaz de se unir ao esforço do Estado. Estamos órfãos de uma estratégia capaz de nos salvar. Os que possuem condições econômicas já contrataram guarda-costas e adquiriram veículos blindados.  Uma lógica absurda do “salve-se quem puder”.

    O momento é tão amedrontador que sequer adianta trancar-se em casa. Em alguns bairros, gangues intimidam pais de família dentro de seus lares. Os arrastões em restaurante se tornaram rotina, patotas armadas de metralhadoras invadem prédios de luxo, ataques violentos acontecem em plena luz do dia e até policiais veteranos atuam na base do espanto. É necessário reconhecer o fundo do poço e agilizar ações capazes de salvar vidas e tirar o pai de família do sufoco.  

Rosenwal Ferreira: Jornalista e Publicitário
Twitter: @rosenwalF
facebook/jornalistarosenwal

Um comentário:

  1. Caro Rosenwal,
    A par de cumprimentá-lo, sirvo-me deste espaço para dizer que algo preocupante e perigoso está acontecendo nas cercanias de Goiás. Sou, entre outros, um Twiteiro processado por Marconi Perillo. Na realidade, interpelado judicialmente por manifestar uma desproposital opinião naquele espaço democrático. A íntegra da interpelação pode ser acessada aqui http://migre.me/bF87z e vc verá que não é nada demais.
    O que assusta, amigo, é a judicialização das opiniões, a intimidação, via judiciário, daqueles que não compactuam com o desgoverno de Goiás. Não obstante o direito de ação, garantido pela CF/88, é absolutamente desmedida e antidemocrática a iniciativa de processar para suplantar outro direito constitucional que é o da liberdade de expressão.
    Quando o governo aciona o judiciário para interpelar um do povo, pessoa que não ocupa cargo político, que não tem voz para prejudicá-lo ou ameaçar seu poder político, isso soa excessivo e não se vislumbra outra intenção, senão a de coagir toda uma sociedade. Quero acreditar que tais ações correm à revelia do Governador, patrocinadas, exclusivamente, por assessores inconsequentes e ditatoriais. Entre jornalistas, dirigentes de partidos, blogueiros e tuiteiros já somos mais de 12 pessoas acionadas judicialmente por Marconi Perillo. Paira sobre Goiás, uma nuvem negra a tolher o sagrado direito da liberdade de expressão e livre pensamento. Somos todos responsáveis pela manutenção dessa liberdade, sobretudo em respeito àqueles que sucumbiram para que hoje pudéssemos escrever e manifestar nossa opinião.
    Embora crítico, nunca desrespeitei a pessoa de Marconi Perillo. Ele, como Governador, deveria ter consciência de que a aceitação de uma função pública traz em si uma tácita submissão à crítica das demais pessoas. O sujeito se coloca em uma vitrina sujeita a inspeção e controle pelos interessados na administração dos assuntos da sociedade. A função pública oferece um flanco inevitável à supervisão e possíveis ataques a seus afazeres. Trata-se de assumir o risco, sendo previsível a crítica, inclusive aquela que pareça injusta.
    Escrevo-o, sobretudo, por acreditar na sua imparcialiadade e independência jornalística, por sua coerência e responsabilidade na defesa da liberdade de expressão. Parafraseando a "fábula da ratoeira", quando tem uma ratoeira na casa, toda fazenda corre perigo. A liberdade diz respeito a todos nós.
    Reitero meus protestos de elevada estima e distinta consideração. Abraços. @Regesmaia. Cloves Reges Maia.

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